
Outro dia, não sei bem se foi na novela das 20h que na verdade começa às 21h, ouvi alguém dizer que: - Tudo é mais grave de madrugada! E referiam-se a uma febre ou indisposição da filha pequena ou algo assim.
Nos últimos dias tenho tido uma insônia triste e a minha experiência com as noites em claro já é antiga... bem antiga mesmo. Noite dessas, lembrei-me dessa frase: Tudo é mais grave de madrugada!
Nossos pensamentos voltam-se para o difícil, para a impossibilidade, o medo, o inalcansável e parecemos impotentes diante de nós mesmos. A busca pelo controle remoto da TV é imediato e o retorno pelo que não existe deagradável e alegre nos canais abertos, nos faz mais impacientes. São filmes antigos, testemunhos religiosos imagináveis, vendas, entrevistas com desconhecidos completos... enquanto pra mim, seria maravilhoso mesmo assistir a um belo desenho animado do tipo Shrek; A era do gelo ou Madagascar...
Uau! Que delícia seria! ou quem sabe um daqueles seriados, como Jeannie é um gênio ou a Feiticeira, que me fazem lembrar os meus velhos tempos de menina, tempos em que, eu também sofria de insônia mas, armava uma cabana com meus travesseiros e lençóis e acabava dormindo cansada... depois de esconder-me de mim mesma com minhas bonecas que falavam e somente eu ouvia.
Hoje, não tenho mais as bonecas, tenho os controles do vídeo, da TV, do DVD, do som, o celular e os torpedos para os amigos de insônia, os livros, 1, 2, 3, que ficam na cabeceira para serem escolhidos... tenho as lembranças, a lista da agenda para o dia seguinte, as metas que pretendo cumprir, os medos, as angustias. Não faço mais as cabanas e sinto-me envolta por uma imensa tenda de misteriosas perguntas que, possivelmente, eu encontre todas as respostas ao amanhecer.
Hoje, sinto-me ao menos mais forte com a presença de Deus, tenho a certeza de que não estou só e que Ele me embala, mesmo que o momento pareça intolerante.